Abraços que Contam Histórias – Episódio 4: Tá em Casa

Conheça a história de dois irmãos que, separados pelas diferenças, perceberam que não poderiam viver sem o outro.

 

Quando um amor é intenso, invencível e ultrapassa qualquer barreira, ele se torna mais do que um sentimento. Ele vira uma ação. Mais especificamente, ele vira um abraço. Por isso, na semana do amor nós queremos contar histórias de grandes abraços: aqueles que, com muito amor, unem o diferente e trazem para perto aqueles que nunca deveriam ficar longe.

Bem vindos à Semana do Amor. Bem vindos aos Abraços que Contam Histórias.

Tá em Casa

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Mateus e a Carol são irmãos e, desde pequenos, sempre foram muito próximos. Quando eles eram adolescentes, sua mãe começou a trabalhar e estudar fora, e isso fez com que eles ficassem ainda mais amigos. "Por ser a mais velha, eu acabava tomando a responsabilidade de cuidar dele, de ser uma mãe enquanto ela estava fora", conta a Carol.

 

Essa relação de cumplicidade foi essencial para o Mateus quando resolveu contar para a irmã que tinha beijado um menino, e mais essencial ainda quando a mãe dele ficou sabendo que ele era gay.

 

Por medo do filho sofrer discriminação e preconceitos, a mãe deles sempre temia que o Mateus saísse de casa. A Carol ajudou muito o irmão nesse processo. "Ela era tão amiga na época que eu assumi pra minha mãe, que era assim: 'Quero sair, pede pra mãe?'. Aí a Carol pedia, e pela minha mãe entender que a Carolina tinha esse papel de mãe na minha vida, nossa mãe confiava nela e deixava eu sair".

 

Alguns anos depois, a vida levou os dois para caminhos diferentes e a relação deles ficou um bom tempo estremecida. A Carol passou a ver que o Mateus gostar de meninos não era apenas uma fase e foi difícil dela aceitar, e isso ficou ainda mais intenso quando ela entrou para a igreja. Para ele, tudo piorou quando ela resolveu se casar e mudar de casa.

 

"Pra mim foi a pior fase do nosso relacionamento. A Carol estava noiva e ela não ficava tão em casa, eu não tinha muito contato com ela. Eu sentia muita falta, sabe? Era sempre com ela que eu conversava sobre tudo. Ter esse afastamento dela me magoou e marcou muito na época. Pra mim, eu realmente estava perdendo a minha irmã", conta ele.

 

E foi aí que, depois de sofrer muito tempo e lutar contra os seus próprios preconceitos, a Carol resolveu se abrir. "Eu pensei: 'Não estou perto do meu irmão, eu preciso ajudá-lo.' Foi muito difícil esse processo. Reconquistar a confiança dele e estar perto de novo", disse ela.

 

Depois disso, tudo mudou. A Carol viu que não valia a pena se e, de forma natural, a relação deles foi voltando ao normal. Hoje, eles sentem que ela é muito mais forte do que sempre foi.

 

O Mateus conta: "Eu não trocaria a Carol por nada, pois ela ultrapassa muitas coisas da crença dela para estar comigo. Eu não me vejo longe mais. Ela foi a mãe que eu tive durante a minha fase de aceitação, e a melhor irmã que eu tenho. Sinto uma gratidão muito grande".

 

E a Carol viu que não é preciso mudar seus valores: "Hoje eu prefiro amar e estar com meu irmão, ver ele feliz, ao invés de me colocar no papel de juiz e julgar se tá certo ou errado. Não é porque ele é uma pessoa diferente de mim em relação a sua orientação sexual que eu preciso me afastar dele. Se a gente respeitar a escolha do próximo, todos viveriam melhor".

 

Assista ao curta desses irmãos lindos aqui: